Vídeo: Prédio de 7 andares desaba em Fortaleza, no Ceará; uma pessoa morre

Um prédio residencial de sete andares desabou, em Fortaleza, e deixou ao menos um morto e sete feridos na manhã desta terça-feira, 15. O edifício que caiu se localiza na esquina das Ruas Tibúrcio Cavalcante e Tomás Acioli, no Dionísio Torres, bairro nobre da capital cearense. O prédio desabou por volta de 10h15.

De acordo com os bombeiros, ainda há duas vítimas soterradas e em contato visual com os oficiais. Elas estão esperando o resgate. Das vítimas já resgatadas, duas teriam conseguido ligar para os familiares, mesmo sob os escombros. As pessoas resgatadas foram levadas para o Instituto doutor José Frota. Os bombeiros não informaram os estados de saúde das vítimas.

Os bombeiros também estão com uma lista de 10 nomes, de pessoas que ainda não foram localizadas, mas não se sabe se elas estavam no edifício no momento do desabamento. Ainda de acordo com os bombeiros, não há risco para os prédios próximos.

"A Defesa Civil está coordenando o isolamento do entorno, mas o desabamento desse prédio não oferece risco aos edifícios vizinhos. Estamos esvaziando o entorno, mas mais por uma questão de segurança", afirmou o coronel Clayton Bezerra, comandante da operação. "A situação é difícil e requer cuidados, porque o restante do prédio ainda pode vir a colapsar. Ainda há bolsões que inspiram cuidados. É uma operação lenta e deve se estender durante todo o dia de hoje."

Ele também disse que não há risco de incêndios ou de explosões. E também não foi detectado vazamento de gás. De acordo com Bezerra, uma das hipóteses que pode ter provocado a queda do prédio é a falta de manutenção de uma das colunas do edifício.

Há cães farejadores trabalhando no resgate dos soterrados.

Em nota nas redes sociais, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), afirmou ter determinado "o uso de toda a força operacional dos bombeiros, Samu, Polícia Militar, Defesa Civil e todos os órgãos estaduais que possam auxiliar no socorro às vítimas".


"Estava chegando a Brasília para cumprir agendas quando recebi essa lamentável notícia. Cancelei toda a agenda e estou retornando imediatamente para Fortaleza para acompanhar a operação de resgate. Além das ações efetivas das nossas forças de segurança, façamos uma corrente de oração para que as vidas sejam salvas", diz o texto.

O publicitário Higor Veras, de 26 anos, trabalha próximo ao prédio que desabou e conta que os imóveis da região precisaram ser evacuados devido a um vazamento de gás no local da tragédia.

"Foi horrível. A gente pensou que fosse o nosso prédio, porque tremeu muito. Durou uns dez segundos. A gente começou a ver a poeira, a gritaria e a gente percebeu que era outro prédio. Foi aquela correria, mas não tinha muito o que fazer", contou.

A designer de interiores Roberta Leite, de 32 anos, mora a cerca de 100 metros do prédio que desabou. Ela conta que estava no quarto quando ouviu um barulho estridente.

"Pensei que tivesse uma queda de energia, algum poste que tivesse sido batido. Saí com minha irmã para ver a situação da janela da cozinha e vi uma nuvem de fumaça", disse.

Após a poeira baixar, Roberta percebeu que um prédio próximo havia caído.

"Todo mundo começou a sair na rua, a entender a situação e a ajudar. Está todo mundo triste. É uma tragédia", lamentou.

A designer, também estudante de Engenharia Civil, disse que a estrutura não aparentava más condições.

"Era um prédio normal. Não tinha nenhum vergalhão aparente, nenhuma rachadura. A pintura estava desbotada, mas normal", avaliou.

A irmã de Roberta, a médica Renata Leite, foi ao local prestar socorro às vítimas do desastre.

Em entrevista ao Estado, o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Ceará (CAU-CE), Napoleão Ferreira, afirma que não há nenhum Registro de Responsabilidade Técnica (RRT) emitido para o prédio.

"Se houver obra por arquiteto, é irregular. Não há RRT de nenhum profissional naquele edifício", enfatiza Napoleão.

Ao citar hipóteses para o desabamento, o presidente diz que o problema pode ter sido caudado por questões estruturais e por falta manutenção.

"Quando acontecem intervenções internas na edificação, obras nas unidades e isso é feito de maneira não profissional, com a técnica devida, isso geralmente ameaça causar sinistros como esse. Uma outra causa possível é a estrutura do prédio. Às vezes tem uma infiltração, um problema crônico, que ao longos dos anos vai se agravando e termina que colapsa a estrutura. Outra hipótese é a questão da tubulação de gás. Pode haver uma explosão e isso gera uma rachadura e a ruptura vai como um 'castelo de cartas'. Essas hipóteses existem. É preciso investigar", afirma Napoleão.

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