O que há de verdadeiro na esperança de que fatores climáticos contenham a epidemia no Brasil.

O que há de verdadeiro na esperança de que fatores climáticos contenham a epidemia no Brasil.

Um último estudo publicado no último dia 19 corrobora as conclusões otimistas. Analisando a propagação da Covid-19, os autores, vinculados ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), afirmam que “o número máximo de transmissões ocorreu numa determinada faixa de temperatura – 3ºC a 13ºC”. Apesar disso, reconhecem que a relação não é uniforme e não foi verificada em países como Cingapura, Malásia, Tailândia, Índia e no estado americano da Flórida.


“Embora tenhamos verificado efeitos relacionados ao clima, enfatizamos a necessidade de usar as medidas de quarentena adequadas, mesmo nas regiões mais quentes”, escrevem. “Além do clima, vários outros fatores desempenham um papel na quantidade de casos em cada região.” Entre tais fatores, enumeram a qualidade dos serviços de saúde, medidas de distanciamento social mobilidade da população, grandes aeroportos e a maior proporção de idosos na pirâmide etária.


O fato mais crítico para entender a velocidade de disseminação do Sars-CoV2 pelo planeta é o mais óbvio: trata-se de um vírus novo, quase toda a população do planeta é suscetível ao contágio. “Vírus novos têm uma vantagem temporária, mas importante: poucos ou nenhum indivíduo na população é imune a eles”, escreve o epidemiologista Marc Lipsitch, de Harvard, numa análise sobre os efeitos do clima na pandemia. “A consequência é que podem se espalhar fora da estação normal.”



Conclusão de Lipsitch: mesmo infecções sazonais podem ocorrer “fora da estação" quando são novas. Quando já estiver estabelecido, é provável que o Sars-CoV2 só ataque com mais força no inverno, como os demais coronavírus. Quando o primeiro ataque chega numa estação mais amena, tem pouco valor ser um país tropical, abençoado por Deus ou bonito por natureza.

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